Capas de discos relatam história do ‘funk’ e da ‘soul’ – Artes – DN

Capas de discos relatam história do 'funk' e da 'soul'

‘Funk & Soul Covers’, segundo livro de Joaquim Paulo na Taschen, contém maisde 500 capas de discos de ‘funk’ e ‘soul’, além de entrevistas e um ‘single’ com dois temas raros.

Se durante os anos 60 e 70 a sociedade norte-americana viveu profundas transformações sociais que marcaram intensamente a história, a música negra produzida na época acompanhou bem de perto toda esta revolução. Não é de admirar, por isso, que ainda hoje se considere que os anos 60 e 70 foram a época dourada do funk e da soul. Agora, essa história ganha vida através das capas dos discos de vinil, reunidas no livro Funk & Soul Covers, da autoria de Joaquim Paulo e editado pela editora alemã Taschen.

Este é, aliás, o segundo livro do português na Taschen, depois de ter lançado há dois anos Jazz Covers, graças ao qual recebeu o Prix du livre de Jazz 2008 da Académie de Jazz, em Paris.

Para esta nova obra, o autor quis “vincar muito a ligação à sociedade e às mudanças que esta atravessou nos anos 60 e 70”, contou ao DN Joaquim Paulo. Daí que entre as mais de 500 capas de discos presentes nesta obra se encontrem “discos que foram seleccionados que pertencem a algumas correntes artísticas ligadas a movimentos cívicos, desde os Black Panthers ao Malcolm X, aos filmes da Blaxploitation e às bandas sonoras produzidas, ou até alguns discos mais obscuros de editoras importantes, como a Stax”, explicou.

Assim, o autor tomou como pontos de partida para a criação deste Funk & Soul Covers “a raridade, a importância histórica, o impacto visual da capa e, claro, o facto de gostar muito do disco”, refere nesta obra, que é lançada em português nos países de expressão portuguesa e mundialmente traduzido para francês, inglês, alemão e italiano.

Das mais de 500 capas de discos que podem ver-se neste livro, todas pertencem à colecção pessoal de Joaquim Paulo, que tem cerca de 25 mil exemplares. “Foi um vício que me foi incutido pelo meu primo, que comprava imensos discos e eu desde miúdo só via aquele espírito de comprador compulsivo. Cresci com uma referência destas, ele era também um grande fã de funk e jazz, por isso as primeiras coisas que ouvi em casa passaram muito por este tipo de música”, contou.

Segundo o autor, o período da revolução musical vivida nas décadas de 60 e 70 do século XX foi acompanhado pelo grafismo das capas dos discos: “Agora ao falar com algumas pessoas ligadas a editoras de funk e soul da altura, e também com produtores, todos me dizem que havia ali uma comunhão de interesses, a indústria discográfica dava uma liberdade que permitia aos designers gráficos e aos fotógrafos fazer coisas que hoje são impensáveis.”

Além das capas de discos que à sua maneira contam a história da época dourada do funk e da soul, neste livro pode ler-se entrevistas com David Ritz, autor norte-americano de biografias de Ray Charles ou Marvin Gaye; Larry Mizell, produtor da editora Blue Note durante os anos 70; e Gabriel Roth, da editora Daptone Records, cujo estúdio serviu para as gravações de Back to Black, de Amy Winehouse. Uma edição limitada desta obra contém um single de sete polegadas com temas raros dos The Barons e J. Hines & The Fellows.

Apesar de actualmente se viver numa era em que a música é consumida digitalmente, Joaquim Paulo não deixa de ter uma “visão romântica”: “Espero que o vinil resista, não só porque é um objecto muito bonito mas porque permite ouvir música de forma muito orgânica. Tem um apelo físico que o CD não tem”, salientou.

Com o seu primeiro livro para a editora alemã Taschen, Jazz Covers, Joaquim Paulo recebeu o prestigiado Prix du Livre de Jazz 2008, atribuído pela francesa Académie de Jazz. Esta obra reproduz as capas de mais 700 discos de jazz, abrangendo um período histórico entre 1940 e 1990, além de conter ainda algumas entrevistas a personalidades ligadas ao género, como Rudy van Gelder, nome emblemático da editora Blue Note. Jazz Covers foi lançado em cinco línguas: inglês, francês, alemão, espanhol e japonês. Quanto ao prémio que recebeu com este livro, o autor referiu: “Muito sinceramente, não penso nisso. Já é uma sorte tremenda poder mostrar os meus discos desta forma.”

 

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